segunda-feira, 18 de julho de 2011

POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS...e CAPOEIRA na Praça da República- Belém- Pará

Lua e Macaco (mais tarde Borracha) em roda na feira de São Cristovão Rio de Janeiro anos 70

Definitivamente, a história da transformação de uma modesta filmagem em Super-8mm (realizada entre 1976 e 1978) num registro no moderno sistema DVD
neste 2009 de tantas desgraças é a prova maior que o Destino dirige as nossas vidas. Se alguém naquele longínquo ano de 1976 dissesse que o garoto pobre filmado jogando Capoeira num Morro ainda mais pobre — de lazer e de oportunidades diversas para crianças da mesma idade e origem — seria mais de 30 anos depois exatamente a pessoa que lançaria o histórico registro ao Mundo, via Internet e por esse por vezes nefasto Youtube, todos diriam que o sujeito estava bêbado ou doido.

Mas a história da viagem de quase 20.000 km da "fitinha" por boa parte do Brasil é a história do sonho vencendo todos os pesadelos, da necessidade sobrepujando as dificuldades, do objetivo teimosamente alcançado driblando todos os obstáculos, persistindo ano após ano, apesar das frustrações. Quando 2 jovens favelados se propuzeram comprar uma filmadora de plástico, coisa fina, importada — com o pomposo nome de Gioca Royale — a intenção não era se filmarem, mas registrar a Capoeira dos 2 nomes maiores daquela época na zona sul carioca, os mestres Peixinho e Camisa, ambos no auge de suas formas técnica e física e o ensino solitário do folclórico mestre Lua em diversos locais.



Assim, sem dinheiro, lenço nem documento, o jeito era "pedir as contas", sair do emprego com indenização, FGTS mais férias, etc para poder adquirir a engenhoca. Só ano e meio mais tarde compraríamos um projetor — também de plástico e da mesma marca — para constatar adiante que a maquininha, muito mal "bolada", lixava o filme tanto na projeção como no rebobinamento de cada rolinho de filme. Os rolinhos, depois de revelados a um preço absurdo, se transformavam em apenas 5 minutos de imagens e, como eram caros, precisamos de 3 longos anos de filmagens para obter esse registro hoje postado no Youtube por Mestre Guará, do grupo ECAP-Escola de Capoeira Angola de Paris. Podendo adquirir apenas 2 ou 3 rolinhos por evento, era preciso esperar pelo evento do ano seguinte e, novamente, pelo do outro ano.

Tendo conseguido a filmadora em fins de 1975, passamos para passo seguinte, tentar adquirir um projetor para filmes 8mm, uma fortuna na época (algo entre 10 e 12 salários mínimos) quase todos da Kodak americana ou, então, de origem alemã. Surgiu uma luz no fim do Túnel : um leilão de uma estatal no bairro de Botafogo tinha, entre mil bugigangas, um esquisito projetor meio manual meio elétrico, próprio para slides, mas que nosso gênio criador "adaptaria" para passar a minúscula "fitinha". Nesse leilão conheci um "macete" que só décadas depois se tornaria um hábito nesse tipo de evento. A cada lance confirmado pelo Leiloeiro oficial "pipocavam" em vários cantos da sala novas propostas, elevando o preço de cada "velharia" muito além de um valor razoável para um objeto usado. Meu "projetor" não escapou da armadilha... com lance inicial em torno dos 40 cruzeiros da época, acabou ficando quase em 200 "mirréis" ou "paus" como se dizia, 4 "galos" (dezena 50 no Jogo do Bicho) para os malandros do Morro onde nascemos. Paguei na hora os 10% destinados ao pregoeiro e fui buscar no dia seguinte o aparelho. Levei um susto : os sisudos senhores de terno e gravata que "disputaram" comigo o projetor de slides não passavam de funcionários comuns da estatal, serventes na sua maioria, a elevar os preços do leilão só Deus sabe porquê.

Anos depois, já na Amazônia de matas e águas, eu usaria desse estratagema no interior, num leilão que fui convidado a "cantar". Cochichei o "macete" para um amigo ribeirinho e quase morri do coração ao notar que êle espalhara a idéia entre meia dúzia de jogadores do seu time, que disputavam os lances entre sí, sem saber que teriam que pagar o prêmio, no final do leilão. Relato o fato numa curiosa crônica intitulada LEILÃO DE "URUBU", cujo link é... www.overmundo.com.br/banco/l...

Mas, voltemos ao Rio de 1976... o fato é que o projetor de slides nunca funcionou a contento para se ver os filmetes, guardados em dez ou doze rolinhos amarelos durante uns 3 anos. Registramos a nós mesmos, 1 ou 2 amigos do Morro dos Cabritos, "Rubinho Tabajaras" em seus últimos dias na face da Terra e também um exímio angoleiro da Velha Guarda, mestre Gilberto, muito simpático, a cara do cantor Gilberto Gil e que tinha uma roda no último sábado de cada mês na longinqua e abandonada Barra da Tijuca. A mão do Destino pos Mestre Camisa, pela primeira vez na nossa frente... mas só tinha alunos na tal roda e deixei para filmar na bela praia, totalmente vazia em pleno meio-dia de sábado. Camisa não ficou para o banho de mar.



Adiante, me tornei sócio do Clube Guanabara apenas para filmá-lo... certa vez subi numa cadeira durante um treino dele e passei a registrar a roda. Êle parou tudo e veio "tomar satisfações" :
— Que diabos era aquilo" ?! 
Respondi-lhe que queria gravar um jogo dele ! 
Não se opoz !
A máquininha piscou, tremeu e acendeu a luz vermelha... não filmava se não havia iluminação suficiente. Desisti, mas como a Capoeira era de graça para os sócios do clube — acredite quem quizer, mesmo assim os inscritos eram na maior parte "de fora" — me tornei aluno dele, por 2 semanas somente. A ginástica era demais, 100 ou 150 repetições de tudo e eu tomara raiva de ginástica no Exército, recruta que fui no ano anterior. Daí, com uma segunda via da carteira de sócio (com meu nome mas com a foto de meu irmão gêmeo) entrou em cena o "Sérgio Leiteiro", que completou o mês de aulas apenas praticando ginga, talvez porque fosse aluno do Lua.

De minha parte, continuei acompanhando as exibições e/ou apresentações de José Tadeu Carneiro onde podia, principalmente no CEU - Casa do Estudante Universitário, na "curva" do bairro do Flamengo. Cheguei a levar um caderno para "desenhar" golpes e movimentos dele, sem sucesso, até que me convenci que só uma filmadora poderia gravar com fidelidade a genialidade (na minha opinião particular) de um dos maiores capoeiristas do século passado, no Rio pelo menos.

Está aí o filme, que não deixa ninguém mentir !
Rio de Janeiro anos 70 IMG/flv/Capoeiragem_no_Rio_de_Janeiro_dos_anos_70__parte_1.flv
http://www.youtube.com/user/ecapguara



Em 1979, enquanto office-boy de uma multinacional de extração de bauxita, conheci um funcionário da CVRD que se propoz montar/colar os 12 ou mais rolinhos, para fazer disso um filme decente. E é esse filme de quase 40 minutos que irá rodar por uns 20.000 km, durante exatos 30 ANOS, atravessando boa parte do Brasil e até o oceano Atlântico — rumo à Europa — para navegar agora nas ondas da Internet e se transformar num produto a ser visto no Mundo inteiro. A primeira viagem foi do Rio para Belém, no Pará, em março de 1984... dentro de uma das 32 caixas enviadas pelo Correio, quando essa empresa não falhava tanto. E lá se foram os primeiros 3 MIL KM... até que um dia, nas férias de julho/1990, revendo os agora 2 rolos de filme Super8 no CENTUR, em Belém — na maior bilbioteca do Norte, salvo engano — decidimos que as rodas de Capoeira filmadas eram boas demais para ficarem restritas a 2 ou 3 pessoas.

Daí procuramos um amigo (na época) com boas relações e êle nos apresentou um professor da UFPA, a universidade "das greves", naquele tempo pelo menos. Se chamava Viegas ou Cubas... o nome pouco importa e morava num casarão antigo no bairro Cidade Velha, no qual se entrava pela garagem. Resolveu nos "esnobar", mostrando todo seu acervo de belas máquinas de fotografia e filmagem, inclusive uma tela automática, que descia e se enrolava sozinha. Queríamos um trabalho simples e rápido : projetar o rolo na tela e filmar dali. Êle queria qualidade e precisava de tempo, além de termos que deixar os filmes sob seus cuidados, o que não nos agradava nem um pouco. Acabamos por desistir... e os 2 carretéis de filme 8mm aguardariam por quase 8 anos uma nova viagem (em 1998 ?), agora de uns 4 MIL KM, para Curitiba, de onde retornariam em forma de moderna fita VHS.

Quando o Grupo Abadá-Capoeira se instalou em Belém (em 1995, salvo engano) meu irmão fez amizade com o representante dele na capital, prof. "Cobra Preta". Nas palavras dele..."assim que mestre Burguês nos mandou a fita VHS — êle transferiu o 8mm para esse novo formato — eu a emprestei para o "Cobra", ficando lá com êle uns 2 meses. Então veio mestre Peixinho — trazido por meu amigo Luís Carlos (de Icoaraci) — e tornei a emprestar a fita, agora por uma semana. Aliás, me. Peixinho chegou a ver uns 15 minutos do filme, antes de uma Oficina que deu em Belém. Anos depois veio a Belém mestre Camisa e lhe falei da (existência da) fita. Interessou-se e indicou-me seu aluno "Japonês" — dono da locadora "Sétima Arte" — que fez cópia de parte da fita, porque tinha um serviço urgente e eu não quiz deixar a fita com êle".


Dessa longínqua época (1998 /99) até 2008 sempre desejamos pôr à disposição do público as imagens gravadas 20 anos antes no Rio (em 1977/78), desejo que poderia ter sido realizado por 3 ou 4 pessoas/Grupos que contactamos naquele tempo. Quando mestre "Guará" veio ao Brasil — em 2008, para uma semana de Capoeira e Oficinas no Nordeste — tentamos fazer uma cópia decente dos 40 minutos de filme VHS numa loja especializada aqui do bairro. O dono, desocupado, exigiu que a fita fosse deixada, apesar dos 25 reais exigidos... estava "sem tempo" para fazer o serviço na hora, embora a máquina trabalhe sem interferência nenhuma das mãos humanas. Recusamos ! No Pará "o impossivel acontece a toda hora... e toda espécie de impossivel !". Temíamos pela integridade do registro ou até pela troca do "miolo" da fita VHS por uma outra imagem qualquer. Mestre Guará tornaria a voltar ao Brasil mais uma vez, em agosto de 2009... exatamente na época em que um "milionário" resolve (re)contar a história (? !) da Capoeira(gem) na zona sul do Rio, recriando nela roupas — e suponho que até fatos — que nunca existiram. Era a hora exata para que nosso registro filmado fosse mostrado ao Mundo, o que finalmente seria feito... pelo garoto que foi objeto da 1ª Filmagem, do registro inicial feito pelos Irmãos Azevedo, mostrando a Capoeira baianíssima de mestre Lua (na época, de Canjiquinha, segundo Fátima Colombiano, vulgo "Cigana") e suas aulas no Morro dos Cabritos, em Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil.



A fita VHS sai de Belém para o Rio, outros 3.000 km se somando aos 11.000 km já percorridos e de lá segue para a França... mais uns 4.000 km, onde encerra uma história que demorou exatos 30 anos para ser contada e mostrada a tantos capoeiristas do Grupo Senzala que dela fizeram parte, mesmo que por breves instantes. Computadores eternizam tudo o que gravamos neles... para o bem ou para o mal, para consagrar os bons e desmentir os que tentam iludir quem não viveu esse Passado de glórias da Senzala, linda Senzala, no dizer feliz de Mestre Toni. Curtam esses momentos... são registros históricos e verdadeiros. Se uma imagem vale por mil palavras, que se dirá de um filme, então ?!
"NATO" AZEVEDO (poeta e escritor)


CAPOEIRA na Praça da República- Belém- Pará







































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Foto cortesia de Rufino Almeida



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segunda-feira, 4 de julho de 2011

4 Mestres, 4 histórias e Jorge um Brasileiro!


Mestre Poeira
Conheci Mestre Poeira nas rodas da Feira de São Cristovão e fiquei fã de seu jogo embora o tenha visto pouquíssimas vezes! Verdadeiramente oque eu não gostava era de suas Chamadas cuja postura era Kung Fu demais para meu gosto e ficava mais impressionante pelas grandes e cultivadas unhas! Mesmo assim ele me permitiu participar de seu trabalho com as crianças de Padre Miguel e que trabalho!
Não tinha aluno mais ou menos com destaque para Muca e Pedrinho e um aluno mais velho (uns 15/17) muito bom!
Vi um treinamento num ginásio para um dia de apresentação com um grau de negritude excepcional!
Que pena que Mestre Poeira não teve um bom apoio no auge de sua dedicação á Nossa Arte Capoeira!
Aí tem que se mandar da sua Querida terra para o exterior sofrendo com o Banzo moderno por sorte bem mais suave!
Axé Mestre Poeira, sonhar é preciso!!!

Meu querido professor Lua Rasta cantava com muita propriedade esta música:

Mandingueiro traga a sua guiada
Mandingueiro traga a sua guiada
minha guiada ficou em Belém
ficou lá minha família
ficou lá todos os meus "trem"
sem a minha família oi iáiá
Eu não sou ninguém!

(adaptação de Leiteiro)



Mestre Dentinho
Era uma rodinha de poucos la por volta de 1978 na calçada do Shoping do final da Rua Siqueira Campos. Possivelmente o Lua Rasta ja estivesse na peça teatral Feira Livre no Teatro Opinião e fazia aquecimento musical conosco, (eu e Bebeto Monsueto) antes de atuar.
Derepente surge do nada no semibreu espantosa figura!
Negro retinto com uma imensa argola na orelha provávelmente de ourina, (ouro com platina) côco raspado na máquina zero-zero, brilhando pela vaselina e olhos parecendo duas azeitonas pretas!

Quando viu o Lua abriu um sorriso de garoto propaganda de fábrica de dentaduras.
Nem os crocodilos do Nilo tinham tantos dentes!
Mesmo com pouca gente o Lua não quis perder a oportunidade, abriu a rodinha e como o João Paraiba ( que depois do Lua era o melhor do Grupo) não estava, acocorei ao pé do Beriba.
Não era fácil encarar aquele provavel fugitivo de um navio pirata, ainda mais porque o Espartaco reBimBara a ordem do Mestríssimo:
Acabar com a palhaçada na Cidade Maravilhosa!

Diz o velho deitado:
Em Rio que tem piranha jacaré nada de costa!
E as rodas no Rio estavam uma piranhagem doida. Desci tranquilo, ja era macaco velho de rodas de rua e depois tenho por norma zerar a cabeça para sentir melhor o clima!
Foi oque me salvou:
Saí no aú como manda o figurino e ele girou da cocorinha como se fosse fazer uma meia lua de compasso e meteu uma chapa giratória arrasadora na minha bôca!
Senti o perigo e andei com as mãos para trás enquanto recebia o impacto da sola arenosa em meus lábios! Provei o gosto salgado de meu sangue, enquanto terminava o aú e encarava aqueles olhos brilhantes, aquela bôca de piranha!
Tempos depois uma amiga me obrigou a ver um show do cantor Fagner num ginásio de Olaria. Gostava de 2/3 músicas do cantor mas não era seu fã!
Fui e ele me surpreendeu ao cantar essa música:

Oh my love
Fagner

Oh! Meu amor
Pela primeira vez na vida
Meus olhos estão abertos
Oh! Meu amor
Pela primeira vez na vida
Meus olhos vêem

Eu vejo o vento, eu vejo a árvore
Tudo está tão claro em meu viver
Eu vejo a nuvem, eu vejo o céu
Tudo está tão claro em nosso mundo

Saí de lá seu fâ, mas antes de entrar no ginásio passamos por um dos seguranças que por coincidência era o Mestre Dentinho!
Apesar da penunbra estava claro:
Ele era bem baixo!!!

Letra e video
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=8325536327261148930&postID=1433522199246216722&from=pencil



Mestre Touro
Era um evento importante no 2º andar do Clube Guanabara aonde o Camisa dava aulas. Possivelmente seu aniversário, cujos participantes mais de 80% eram alunos e fãns!
De fora (leia-se Zona Norte) duas zebras:
Mestre Touro e Mestre Cigano!
De Mestre Touro tinha ouvido falar muito mas não o conhecia, ja Mestre Cigano....
Começam a roda e Camisa no auge da técnica e forma física da Show, faz um relógio de 2 voltas, mostra toda sua técnica e vitalidade.
Mestre Cigano sabe aonde está pisando, mas quem está na chuva é para se molhar, então começa gingando com a ginga da Zona Norte e leva uma senhora vaia, resolve fazer uma armada angoleira e quase que o segundo andar do Clube desmorona, tamanha a algazarra!
Tira o time enquanto está vivo e entra Mestre Touro:
Vou me arriscar mas confesso que andei muito nas rodas, antes e depois deste evento e confesso que nunca tinha ouvido falar de Mestre Touro na Zona Sul Carioca!
Provavelmente era aquele seu primeiro dia e ele não deixou a desejar:
Na 1ª oportunidade que teve no jogo deu um relógio de mais de 5 voltas e logo depois emendou com um pião de cabeça (existe outro pião?) de umas 10 voltas!
Quase que derrubam o 2º andar novamente e creio que a gritaria foi ouvida até na Central Leopoldina!
Ninguém tinha visto isto antes na Zona Sul e nem viu depois por muito anos, pois o Break ainda estava chegando no Brazil!
Camisa ficou uma arara e quem cruzou na frente dele depois disso levou o farelo!
Tenho dito
Leiteiro

Mestre Muca e Pedrinho
Se arrependimento matasse hoje eu estaria mortinho da silva!
Depois de ver Muca e Pedrinho várias vezes na Academia de Mestre Poeira em Padre Miguel e na Quinta da Boa Vista resolvi convidá-los para uma rodinha no meu morro e no final teria um almoço!
ConVenci minha amigona a fazer o almoço em que ela entrava com tudo e eu com as 3 bôcas para comer!
Sem pensar ela topou na hora mas quando eu cheguei com as crianças (Muca tinha uns 13 anos e Pedrinho uns 6/8 anos) ela não estava em casa!
Esperei/esperamos um bom tempo que nos pareceu uma eternidade e nada da dita cuja dar as caras!
Cariocas, (que ja nasce esperto por natureza) sacaram a furada em que eu os tinha colocado, mas fizeram o meu jogo!
E que jogo:
Não sei se por eu ser fã deles, mas jogaram uns 20 minutos direto sem repetir golpes!
Foi com os alunos de Mestre Poeira que eu vi um jogo de navalha dentro do Tradicional, sem que voçe visse quando ele tirava a navalha do bolso e encaixava no pé, tamanha a maestria do mesmo!
Salve Mestre Muca que nosso Deus o tenha!
Axé!

Fonte das fotos:
http://capoeirar.blogspot.com/



Jorge um Brasileiro!

             
 Capoeirista não é aquele que sabe movimentar o corpo, e sim aquele que se deixa movimentar pela alma
Mestre Pastinha
Foto: Aluandê Capoeira Angola
Roda na feira do Rio Antigo na Lapa - Rio de Janeiro

Jorge um Brasileiro?
Quando meu professor Lua Rasta viajou fiquei sem pai e logo depois Bebeto Monsueto meu amigo, enlouquecido de amor se mandou para a Argentina atrás de sua princesa, fiquei sem pai nem mãe!
Aí o Posto 9 em Ipanema ja não era mais o mesmo, ficou sem sal. Embora a contra gosto tive que voltar a frequentar a praia da Rua Siqueira Campos em Copacabana no Rio de Janeiro, oque desagradou meu mano, envolvido que era com os amigos do local.

Meu estilo Hippye demais o incomodava. Mesmo assim continuei frequentando-a até que conheci Jorge. Ele sempre estivera ali, eu via mas não enxergava. Oque me chamou atenção para sua pessoa, foi seus desenhos de super heróis magníficos.
O tempo que fiquei ao seu lado, (uns 2 meses) Jorge foi sempre o mesmo. Negro, negríssimo, aparentava entre 15/18 anos, sempre sem camisa e com o mesmo short, tinha um sorriso cativante que irradiava felicidade embora tenha sorrido pouquissimas vezes.

Era paraplégico e sua cadeira de rodas só tinha uma lona como assento, sem espuma, nenhum conforto. Nunca me reclamou disso, depois de um tempo passou a temer os pivetes, pois escondiam maconha na sua cadeira, e ele magro, esquelético, não tinha como impedir. Estranhamente, dormia e morava na entrada principal de um edificio a beira mar, Av Atlãntica, que por sorte do seu negro destino, não era usada pelos moradores.

Pensei em levar seus lindos desenhos para um radialista no intuito de lhe conseguir um abrigo, protegendo-o da terrível maresia das tardes/noites dos dias chuvosos. Pensar é uma coisa, fazer é que são elas. Mas ele tinha um sonho, sonho besta por sinal, fácil de concretizar, mas o medo dele era maior:
Queria tomar um banho de mar!
Embora não cheirasse mal, desconfiava que banho só de chuva. Me propuz a realiza-lo, mas ele continuava reticente:
 

 Sem mexer as pernas e terrívelmente mal alimentado, (nunca o vi comer) não tinha braços para nadar. Eu descia para a praia logo depois do almoço, 13:30/14:00, batia um papo com ele antes de entrar na areia.
Nesse dia estava 40 graus á sombra e eu doido para dar um mergulho. Convidei e ele topou. Levei a cadeira até o calçadão

Peguei-o no colo, (pesava uns 30 kilos) e corri os 100 metros até a beira dágua. Mesmo lá a areia estava quente, arriei-o e deve ter se queimado um pouco, cavei desesperadamente uma banheira na areia aonde a onda chegava com um palmo ou 2 de altura e corri para busca-lo.
Que maravilha vê-lo e se esbaldando naquela espuma aquosa. O problema problemático é que ele tomando banho de espuma, tomava também de areia e se o mar tem sal, deve estar na espuma. Depois de umas 3 horas convenci-o a sair.

No cabelo estilo black dava para ver centenas de grãos de areia, o pior foi o sal que transformou meu amigo numa zebra. Se ele não tomasse banho de agua doce ia ser comido vivo pela salmoura.
Nesta altura do campeonato Bebeto voltou e eu voltei com ele ao Posto 9 esquecendo por completo meu desvalido amigo. Mas a lição de vida, de esperança, de felicidade ante um futuro tão inóspito, incerto, perigoso por ter que enfrentar os pivetes, ficou, para mim e poucos que puderam conhecer este Herói Brasileiro, tão visto mas não enxergado!

Brasil mostra a sua cara!


terça-feira, 10 de maio de 2011

Posteres: Homenagem ao Grupo Abadá! Parte 1


Seriam estas maravilhas nosso sonho realizado???
Quando aqui no Norte do Brasil optamos por trabalhar com a parte da Capoeira mais desprezada que é a parte artística, sabíamos que ela precisava de profissionais competentes, embora o Estado seja um manancial de artistas natos principalmente pintores!
O problema é que nesta época 1988 a Capoeira nos pareceu aqui não ter a menor importância, daí a dificuldade de conVencer os artistas a se dedicar a mesma.
Quase consegui que o hoje famoso Joe Benett (Bené Nascimento) fizesse um de seus espetaculares trabalhos em prol de nossa Arte!
Sorte da Capoeira que o super criativo Capoeirista Nelson Guedes se dedica a isso se destacando entres os poucos que o fizeram. Demos sorte que os fotógrafos free lancer das praças públicas o fizessem (alguns por dinheiro)deixando nos com um bom acervo!

O 1º Poster de impacto que vi foi no C.E.U (Casa do Estudante Universitário)do Rio de Janeiro aonde o Mestre Camisa dava aula (1980?) e era um desenho de um dando uma benção e outro uma rasteira, ultra moderno e com uma perspectiva meio surrealista!

Hoje coloco estas maravilhas para análise e estudo dos que têem dificuldade em contratar profissionais altamente qualificados e têem pouca criatividade!
Não ha dúvidas que o Grupo Abadá realmente colabora com o 10Envolvimento da ArteCapoeira!
Meus parabéns a estes criativos criadores!
A Capoeira Agradece penhoradamente!
Tenho Dito
Leiteiro











































































































































































Estes belíssimos trabalhos foram coletados no Site do Abadá:
http://blog.abadacapoeira.com.br/