quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Homenagem póstuma a Nelson Guedes!

Araúna e Nelson Guedes

Nelson Guedes foi importantíssimo na história da Capoeira (embora pouca gente saiba, ja que o trabalho dele era na parte musical e artística,) sempre extremamente preocupado em preservar/praticar as tradições e rituais da Nossa Arte Capoeira! 

                                                           Leiteiro, Nato Azevedo e Nelson Guedes!                                     

Exigente consigo, sério, perfeccionista, dedicou-se ao estudo dos toques de Berimbau tornando-se exímio na execução dos mesmos!  



Artesão nato fazia berimbaus lindíssimos, os quais nos emprestou para abrilhantar nossa Exposição!    
Foi nosso braço direito na 3ª Exposição do Centro Cultural de Capoeira, preenchendo com a genialidade de sua Arte a parte que faltava na Nossa Exposição!!




 O Fabuloso e saudoso Mestre João Pequeno não poderia ir só e por isso levou nosso Pequeno/Grande Capoeira e Amigo, justo neste dia nefasto para nossa Arte Capoeira!! 
Torço para que Ele la de cima possa ajudar a Capoeira Paraense através da Federação agora nas mãos do Nosso Querido Mestre Laíca! 
Axé Capoeira!!!






                     Trabalhos Gráficos de Nelson Guedes!














Homenagem a Nelson Guedes (Leiteiro)
Ai meu Deus eu me arrepio
quando ouço uma viola
a emoção que está la dentro
pula do peito pra fora
nos olhos deste sujeito
duas lágrimas aflora
pois meu pequeno amigo
para a Arte não tinha hora
dia, noite ou no sereno
uma obra ele elabora
mas por desejo divino
da terra ele foi embora
grande perda para as Artes
toda a Capoeira chora

Chora viola chora
faz meu corpo arrepiar
Nelson Guedes foi embora
foi pro céu com Deus morar


quando morre um grande nome
se enterra e a terra come
mas sua obra não some
fica a fama morre o homem
mas chora....

Chora viola chora
faz meu corpo arrepiar
eh, Nelson Guedes foi embora
foi pro céu com Deus morar














Capoeira no ISEP1990, Nelson&Carioca!




Leiteiro fotografado por Nelson Guedes!







Homenagem a Nelson Guedes

  • certa vez eu caminhava senti um aperto no coração,
    euvi um menino chorando com seu berimbau na mão,
    perguntei para o menino
    o que foi que aconteceu
    e o menino ainda chorando
    disse meu mestre morreu
    me sentei com o menino
    e comecei a lhe explicar
    que seu mestre ele partiu
    foi pro céu com Deus morar
    foi pra perto de seu bimba, pastinha, e besouro mangangá
    foipra junto de traira canjiquinha e o mestre valdemar,
    onde tu tiver jogando
    seu mestre vai estar la
    pra guiar os seu caminhos
    junto com pai oxalá,
    ô menino tu não chora
    ô menino tu não chora, ô menino
    seu mestre não vai gostar
    por que tu és a semente
    que um dia vai brotar
    e o menino levantou
    e com um gesto sorridente
    apertou a minha mão e caminhou logo contente
    o seu gesto sorridente isso sim me comoveu
    por que vi que o menino
    naquele momento entendeu,
    não chora menino
    não fique a chorar
    não chora menino
    teu mestre foi pro céu com Deus morar.

    Capoeira no ISEP1990, Nelson&Chico!



capoeira no ISEP 1990 part 02 

 

capoeira no ISEP 1990 part 03 

 

 



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Atenilo o Relâmpago de Mestre Ytapoâ!



 Atenilo o Relâmpago de Mestre Ytapoâ!

MESTRE ATENILO CAPOEIRA REGIONAL-
Nascido Altenisio dos Santos, conhecido nas rodas como Relâmpago e na bôca do povo como Atenilo assimilou tão bem os ensinamentos de Mestre Bimba e acompanhou-o 45 anos convivendo com grandes capoeiristas da época. Para os alunos ele era um grande Professor e amigo que conhecia muito de Capoeira e de sua história!
Depoimento para Mestre Itapoã resumo do Leiteiro!
ITA: Mestre Ytapoã - ATE: Atenilo
ITA-Atenilo,quando foi que voçe nasceu,onde foi e quando entrou para aprender com o Mestre Bimba?
ATE-Eu nasci no dia 16 de julho de 1918 em Oliveira Distrito de Santo Amaro da Purificação, Bahia e comecei aaprender Capoeira em 1929.
ITA-Voçe nunca treinou em outro lugar?
ATE-Não só treinei com Bimba.
ITA-Agora quando vôçe começou a treinar com Bimba ainda não era a Capoeira Regional não é?
ATE-não, era Angola!
TA-Bimba era Angoleiro?
ATE-Tudo ele sabia!
ITA- E os caras respeitavam ele assim na roda?
ATE-Respeitavam, respeitavam ele e o consideravam como um Mestre. Ele ja tinha um bocado de discipulos(?) tinha o Edgar, tinha o Zeca todos eles.
ITA-Ele queria respeito.
ATE-Respeito, dizia:
Olhe fulano, este dai é gente minha mas não joga Regional, joga Angola! Pronto era pra gente não baixar o pau nele.


 ITA-E quando chegava o pessoal da Regional na Roda de Angoleiro?
ATE_Cada Domingo e feriado nós ia pra um lugar, e quando chegava lá..
ITA-Bimba ia junto?
ATE-Bimba ia, chegava lá, ficava junto, pegava a jogar, eles não conhecia a gente ai diziam:
Vamos dar uma volta?
No que eles viam voçe de fora diziam:
Olha os otários, vamos jogar.
Ai a gente metia uma joelhada, uma cabeçada e dizia:
Vamos menino, eles entravam e voçe aqui:
Tome-lhe pau, tome queda, tome rasteira, tome joelhada...
ITA-E era fácil assim?
ATE-Tá, tome joelhada, vôçe era maluco de entrar numa Banda de costa? Se arrebentava todo.
ITA-E eles não sabiam esses golpes não?
ATE-Não não sabiam, ai quando voçe acabava de bater eles diziam: isso é Capoeira?
Isso é um discípulo de Bimba, ai Bimba dizia:
Oque é Cumpadre? É que meus meninos só brincam asssim mesmo!
ITA-Bicho malvado só gostava de porrada mesmo.
ATE-Era Meus meninos só gostam assim mesmo, quando eles não tomam pancada eles ficam todo...eles não sabem jogar! Mas isso não é jogo, isso ai é pancada, é barulho. Ai não tinha mais lugar, nós corria a Bahia toda.
ITA-E toda a vez tinha confusão?
ATE-Quando nós ia é porque tinha uma coisa, jogar bonito voçe jogava, ele era da roda encostava e lhe dava uma Cabeçada, pronto valeu tudo.
Mas se voçe encostasse nele:
Ô meu irmão isso não é Barulho não!.
Ai nós pegamos a correr roda e sentando o pau, sentava o pau e pronto. Ai foi indo, foi indo não tinha mais nenhuma roda, ninguém queria mais jogar e nós ficamos na Roda do Lobo jogando uns com os outros, na Academia, na rua..
ITA-Ninguém queria mais jogar?
ATE-Não ninguem:
É discipulo de Bimba, Bimba não ensina Capoeira, ensina barulho!


 ITA-Quando ele foi fazer a Regional, chamou esse pessoal todo da Capoeira Angola?
ATE-Chamou todos eles. Ele disse:
Olha nós temos lutador de Judô, Boxeador, lutador de Karatê, Jiu-Jitsu, lutador de Luta-Livre, se nós ficar com essa de Capoeira Angola quando a gente passar na rua vão dizer: Olhe discipulo de fulano tomou tapa na rua, é discipulo de beltrano pisado, ai eles concordaram, acharam tudo certo.
ITA-Quer dizer eles concordaram que tinha que fazer uma luta...
ATE-Diferente!
ITA-A reunião que Bimba fez para fazer a Regional, aonde foi?
ATE-Aqui no Bogum, fim de linha do engenho Velho da Federação. Fez a para mudar a Capoeira de Angola para Regional!
ITA-Me diga uma coisa,esses caras todos antes de ele fazer a reunião ficavam lá jogando?
ATE-Jogavam, Waldemar, Pastinha, Aberrê, andavam mais Gigante, essa turma.
ITA-Eu estava la na Academia do Falcão conversando com um cara ai ele disse:
Que nada Bimba não andava batendo em todo Angoleiro não, tinha uns caras feito Pastinha, Waldemar que não encarava assim não, era ATENILO?
ATE-Pelo gosto de Pastinha, Bimba todo o Domingo dava aulas para elês, e todos feriados Bimba ia la no Sangradouro dar aulas para elês, la na Academia de Pastinha!
ITA-E quando voçe chegava la metia a mão em todo mundo?ATE-Nós pegava a jogar lento, se eles tocassem na gente o couro comia. Pastinha tomou muita amizade com Bimba, que ele (Bimba) também tinha o Segredo da Capoeira, jogava Angola e se defendia bem, Pastinha dizia: Vou ficar com o Manoel(Bimba) treinando mais Manoel! quando não era assim Pastinha ia as tardes treinar com Bimba, na academia de Bimba!
ITA-Porque é que depois surgiu esse negocio de Angoleiro não gostar da Regional de Bimba?
ATE-Porque naquele tempo Bimba jogavam com os angoleiros, jogava nas Docas, Bimba era estivador, jogava na Praia de Amaralina mais Waldemar ali na Preguiça.
ITA-Gigante tambem?
ATE-Depois, quando Bimba falou que ia separar a Angola da Regional eles se separaram.


 ITA-Voçe chegou a ver Pastinha jogar?
ATE-Muitas vezes.
ITA-E Pastinha jogava muito?
ATE-JOGAVA, Pastinha não saía lá de Bimba, antigamente antes da reunião, (para separa Angola da Regional) jogava muito, depois dessa reunião ele disse que Bimba estava ensinando a matar, ele caiu fora..
ITA-Mas Canjiquinha disse que ensinou Pastinha a jogar...
ATE-Hum!..
ITA-Ele disse; "Pastinha aprendeu Capoeira velho, eu ensinei a ele!"! Sera Atenilo?
ATE-Olha eu posso te dizer menino , ja conheci Pastinha no Sangradouro jogando Capoeira. Era muito velho em Capoeira!ITA-No seu tempo tinha essas Ladainhas que os caras cantam hoje, umas Ladainhas compridas , retadas?
ATE-Na Angola toda vida teve.
ITA-Porqe a Regional não tem essas Ladainhas compridas.
ATE-Porque Bimba nunca usou elas e o Angoleiro sempre toda a vida usou. Lento, é assim porque puxa o toque. O toque puxa porque é Angola. E lento, voçe sabe que Angola só coisa bonita, lenta e pronto!
ITA-Voçe nunca viu um Angoleiro jogando pra pau, dando porrada em todo o mundo, não?
ATE-Aqui só teve 2 Angoleiros jogando pra pau mas era pouco, foi Geraldo Chapeleiro e José Gata Magra.
ITA-Esses 2 jogavam forte?
ATE-É, o Zé Gata Magra voçe se escondia na esquina, soltava a peixeira nele, quando voçe pensava que não, ja estava no chão e ele ja estava com ela na mão.


 ITA-Venha ca Atenilo e aquele negocio de Angola que tem as Chamadas em Regional nunca teve isso não é?
ATE-Não!
ITA-E quando voçe ia nas rodas que o cara abria os braços assim, oque é que voçe fazia?
ATE-Oque eu fazia, fazia que ia de um lado, ia para o outro, encostava e metia a cabeça de leve.
ITA-Na Regional não tinha, não tinha mesmo, mas quando chamavam voçe ia?
ATE-Ia, o Angoleiro tinha Chamadas.
ITA-Voçe disse que quando começou a aprender era Angola, Bimba era Angola, quando chamavam ele ia?
ATE-Faziam a Chamada agora tinha uma coisa, Bimba levava a mão quando faziam a chamada, quando davam a mão a ele, aqui ele caia logo não ficava como os Angoleiros que ficam pra lá e pra cá, ele encostou a mão no que encostou já desceu, quando desceu pode sair que lá vem golpe.
O negócio era sério!
ITA-Ele me disse assim:
"Olhe Itapoã fiz a Regional porque tirei tudo oque era porcaria que não prestava! Ele chamava de porcaria oque não gostava.
ATE-Quando eu estava contando que formou a Regional ai no Engenho velho Pastinha foi um que disse:
Não Bimba estou com voçe, amanhã ou depois nossos discipulos tomando tapa ai na rua.
ITA-Pastinha tambem estava na reunião?
ATE-Estava, foram todos eles, os Angoleiros todos. Foi Waldemar, ai quando acabou de combinar disse:
Ah , que nada vamos ficar na Angola mesmo que é a Capoeira daquele tempo antigo, é a nossa Capoeira!
Ai Bimba chamou 1, chamou outro ninguém quis, ai ele tirou o corpo fora, largou foi oque aconteceu.
ITA-Quer dizer que ele ficou com raiva que ninguem quis, quando ele preparou a zorra dele foi a forra!
ATE-Ai quando Bimba pegou preparar os discipulos disse:
Não quero ver ninguem tomando tapas de um desses! Ai o pessoal começou a dizer:
Seu Mestre esta ensinando é barulho, é para matar, ele não esta ensinando a jogar não, antes ponhá logo uma faca e sangrá! há-ha-ha.
ITA-Ai ficou a fama, não e? Quando u entrei la ele disse: Quando entrar na roda de Angola é para dar tapas, bater mesmo, que aquilo tudo é porcaria!
ATE-Tudo, tudo, voçe ia dar um asfixiante dava certo, se dava um martelo dava certo, se voçe fosse jogar com um Angoleiro e desse um martelo ele ficava zangado!
ITA-Ai os Angoleiros não gostavam!
ATE-Não porrada eles não gostavam não. Quando eles tocam na gente é uma festa, quando a gente da porrada neles é desordeiro.
ITA-Eles tanto falaram e agora estão dando porrada do mesmo jeito.
ATE-Mas agora eles estão fazendo uma Regional errada, é o castigo.
ITA-Então ele era invocado com o Gigante, da altura dele. Uma vez que eu levei uns alunos do Mestre Bimba pra la, ele fez calçar os sapatos. Pastinha tem uns alunos aqui de Bimba e vão jogar descalços!
Não, tem que jogar calçado!



TOQUES
ITA-Santa Maria é gostosa de jogar? Como se joga ela?
ATE-Santa Maria voçe joga quase como Iuna. É lento e é velocidade.
ITA-Desde que voçe treinava na Academia de Bimba , eram esses toques que estão ai?>
ATE-Era daquele jeito, os toques deles eram os mesmos toques.
ITA-Quais eram os toques de Berimbau que voçe ouvia lá na
Academia de Bimba.
ATE-São bento Pequeno...
ITA-Espera ai, como era esse São Bento Pequeno?
ATE-Era esse:Tem,Tem Dem, Tem, Dem, Dem...
ITA-E o Panha Laranja?
ATE-Não, Panha Laranja é: Tem, Dem, Dem, Dem. Dem, Dem,
Dem...
ITA-Porque ele è o Hino da Capoeira?
ATE-Porque ele voçe não pode jogar com pancadas. Só pode jogar com floreio, tem que jogar com floreio.>
ITA-E quais eram os outros toques?
ATE-São Bento Grande, Banguela...
ITA-Como era a Banguela?
ATE-Era: Squitem Dem, Squitem Dem, era lento, é lento.
ITA-Hoje um capoeirista tocou uma Banguela que parecia mais rápido que uma Cavalaria.
ATE-Não, o jogo mais veloz é Cavalaria, São Bento Grande...
ITA-Iuna no seu tempo era jogo de Formados?
ATE-Era jogo de Formados e lento. Voçe só joga Iuna com Formados e joga bonito. Tinha que fazer "Esquete" com Balões, Quedas, Saltos Mortais, era obrigado. Precisava ele Conhecer saber oque era um jogo bonito, que a platéia dava muita palma, gritava, era uma torcida medonha!
ITA-Que toque é que batia quando a gente disputava com faca?
ATE-São Bento Grande.
ITA-E Amazonas?
ATE-Amazonas voçe joga ele lento. Segredo, Amazonas é segredo.
ITA-PÔ, diga o Segredo pra gente?
ATE-HA,HA,HA, é Segredo, porque voçe joga ela com truques e o cara sem saber. Voçe joga ela com um truque:
O Lenço, o Chapéu pra enganar o trouxa.




INSTRUMENTOS
ITA-Quando voçe jogava capoeira, tinha esse negocio de botar atabaque na capoeira?
ATE-Não!
ITA-Quais eram os instrumentos?
ATE-Berimbau e pandeiros. Um berimbau, 2 berimbaus. Quando tinha pouco berimbau, um berimbau e 2 pandeiros. Atabaque não tinha essas coisas não. Agora é que eles estão usando!>
ITA-Botavam galo pra brigar?
ATE-Botar galo. Entonces ficava lá, botava o galo,
almoçava por lá quando era de tarde era a Capoeira.
O berimbau, a Capoeira, era tocado no Berimbau de Bôca!
>
ITA-Como era esse berimbau?
ATE-É como esse nosso.
ITA-Ah, botava o Arame na bôca...
ATE-Não era arame não: Imbé, um Cipó> Esticava ele
aqui na Bôca com a faca e a Baqueta. A faca aqui e voçe com a baqueta: TEM, DEM, DEM, SQUITEM DEM DEM, um no pandeiro e outro na viola. Era assim. Entonces voçe ficava lá até de noite na Fazenda do meu tio, jogando Capoeira no dia de Domingo!


  Texto extraído do:

CURSO DE CAPOEIRA MÍSTICA DO MESTRE JORGE MELCHIADES

Parte Teórica - Aula 9

Folclore e Cultura Afro Brasileira - O QUE É PERNADA?

Raimundo César Alves de Almeida, o admirável Mestre Itapoan, capoeira formado do Mestre Bimba na década de 50 ou 60, pesquisador sério e escritor, em seu livro “Mestre Atenilo, o relâmpago da Capoeira Regional”, que salvo engano também confessa nunca ter VISTO roda de pernada ou batuque, trava o seguinte diálogo com o entrevistado:
Itapoan – Atenilo, você se lembra de algum golpe do batuque?
Atenilo – Tem a Cruzada, Cruzo de Carrero, Baú, tem a pancada de
coxa...
Itapoan – Daí é que saíu a Banda traçada? Dessa pancada de coxa Bimba fez a Banda Traçada?
Atenilo – Daí é que saiu a Banda Traçada, você fica em pé eu venho de lado e meto a perna, desequilibro e arrasto. É a Banda Traçada.
Itapoan – E batuqueiro, você conheceu muito aqui em Salvador, porque eu só conheci Tiburcino de Jaguaripe, você conheceu?
Atenilo – Me lembro, eu conhecia Batuqueiros do interior. Eu gostava também do Batuque. Você ficava parado...
Itapoan – Banda Solta?
Atenilo – Era, você ficava parado e aí vinha a pancada de coxa e você se defendia. A Cruzada de Carreira é a pior que tem, porque quando você pega, desequilibra na perna, o pé dele acabou de sair do chão, subiu, você panhou ele em baixo ele vai cair como daqui lá no meio da rua...
Itapoan – Mas os caras só podiam se defender quando o outro aplicava um golpe?
Atenilo – Era, ficava em Banda Solta. Quando ele caía lá que se aprumasse, ou senão caísse... (...)
Itapoan – (...) Devia machucar muito a canela, Bimba me falava que a perna ficava cheia de cicatrizes.
Atenilo – Eu tinha um tio, que as pernas dele era toda cheia de “calombo” de tanto bater. Tinha indivíduo que pegava você e arrastava e tinha indivíduo que entrava e batia com tudo, e o pior é que todos dois se machucavam.
Itapoan – Porque quem não sabe aplicar rasteira com técnica dá pontapé, não é?
Atenilo – Dá pontapé e machuca.
Aqui se pode verificar a descrição da “roda de pernada” enquanto um folguedo folclórico que a tradição preservou até o seu desaparecimento, onde existiu. Trata-se de modalidade com específico modo de cantar, de tocar. Trata-se, portanto, de um sistema distinto de outros, sendo sempre bom saber que nem sempre quem usa o termo batuque está falando da modalidade descrita. Este termo foi generalizado para designar qualquer batida em tambor, lata etc. Também há rodas de samba que são chamadas de batuque, mas que apresentam diferenças substanciais do batuque descrito, como é a umbigada...
Documentos históricos, assim como os de Rugendas, apresentam os primeiros registros, tanto da Capoeira como de formas do batuque, mostrando que foram atividades que se desenvolviam independentes e em paralelo. A própria denominação específica para cada prática é diferente, indicando que desenvolveram distintas.
Sabe-se que o pai de Bimba foi grande batuqueiro, e que ao criar o estilo Regional de Capoeira, o seu mestre maior teria incluído golpes do Batuque. Há muita controvérsia a esse respeito, mas se o Batuque entrou na Capoeira Regional, não a influenciou mais que a luta Greco Romana e o Judô... É possível, porém, que o Batuque e a Capoeira tenham recebido influência, um da outra e vice-versa. Mas é absurdo afirmar-se que uma derivou de outra, porque as provas existentes permitem que se levante hipóteses (suposições lógicas), como: 1) de que a Capoeira e o Batuque tiveram desenvolvimento e surgimento independente, em separado; 2) que qualquer tipo de pernada, como a Tiririca ou a de um golpe só tenham sido corruptelas de lances do batuque. Agora, desprezando provas e partindo para a ignorância pode-se levantar “chutes” ou achos totalmente auto-excludentes como: 1) a capoeira se originou do batuque; 2) o batuque se originou da Capoeira.
Seja lá como for, fica absolutamente demonstrado que capoeira não é batuque. Que o batuque descrito ou a pernada carioca e baiana é uma atividade folclórica, sistemática, com características peculiares de uma prática regular, pois teve até praticantes consagrados, famosos e campeões, e que a pernada de um golpe só ),... a “tiririca” e outras “pernadas”, onde realmente existiram, são corruptelas, simplificações ou deformações do Batuque; da “pernada carioca”, porque na história da capoeira nunca houve “pernada”.
Dito tudo isto ainda pergunto ao aluno: “Alguma vez você VIU alguém fazer pilhéria diante de japonês dizendo que são todos iguais? Então, VER pessoas diferentes, como sendo iguais exemplifica o uso de generalizações pouco inteligentes para dar respostas à imensidão de questões que a vida oferece”.
E o discípulo finalizou: “Oh mestre! Essa é uma brincadeira e ninguém seria tão fútil a ponto de ter essa atitude leviana diante de fatos diferentes”.
Encerrei a lição dizendo: caro aluno, há gente fútil para tudo, inclusive para aprender neste Informativo e depois usar o aprendido para aperfeiçoar as mentiras que contestei. Isto já foi feito e agora, por exemplo, os mentirosos saberão descrever a “roda de pernada”. Bom que seja assim, pois a nossa missão é ensinar...
http://www.nupep.org/capoeiramistica/capoeira_curso_pernada.htm

Mestre Pastinha: Eu Nasci para a Capoeira!!!

                                                   
Trabalho de Transcrição nº2 (Lágrima)


Falas de Mestre Pastinha no cd “Capoeira Pastinha Eternamente”
-
“Eu me chamo Vicente Ferreira Pastinha, eu nasci pra Capoeira! 
Só deixo a capoeira quando eu morrer… 
Eu amo o jogo da capoeira e não há outra coisa melhor na minha vida, no resto da minha vida que seja a capoeira!
…Hoje eu estou com 79… Óia, minha vida é uma vida muito atrapalhada pra eu contar, mas tem centenas de pessoa, milhares de pessoas que me conhece, que já me acompanharam de infância e que vem me acompanhando poderá dizer alguma coisa. Todos eles que quiser dizer alguma coisa sobre minha biografia, pode dizer quarquer coisa, eu aceito toda e quarquer.
Agora tem uma coisa, num fui bobo! 
Na roda de capoeira, Eu num fui bobo…



Na mandinga num fui bobo não, viu? 
Agora pra eu dizer, pra eu contar assim, eu num vou contar nada porque… Se eu contar fica uma coisa muito longa… que parece que eu estou no céu.
*
Muitas disorde que o capoeirista fazia não era propriamente por ele, era também provocado. Porque se estava numa vadiação, em um grupo com um berimbau, num é, na mão, eles passava, entendia de querer tomar, pra quebrar… Aí inflamava, num é?
O íntimo do capoeirista não queria perder seu instrumento, num é? 
Então o que nóis tinha que brigar…
*
Um instrumento, por exemplo, como a, o Berimbau, né somente intrumentoagora vou aproveitar e dizer alguma coisa… né somente instrumento.
Muita gente tem que é o instrumento Berimbau! 
Berimbau, Berimbau…
Berimbau é música, é instrumento!


Berimbau é música, é instrumento, música.  
Támbem é instrumento ofensivo que… ele na ocasião de alegria é um instrumento, nós usamos como instrumento e na hora da dor ele deixa de ser instrumento pra ser uma foice de mão…
Eu vou contar…
No meu tempo eu usava também uma ‘foicizinha’ no tamanho de uma chave. A foice vinha com um corte e um anel pra encaixar no cabo. Mas eu como era muito bondoso, era muito amoroso, né, pra´queles que quisesse me ofender, eu então mandava abrir outro corte nas costa. Se eu pudesse eu mandava abrir outro mais!
Num é, mas num podia… mandava abrir outro corte, ficava dois corte.
E na hora desmanchava o berimbau encaixava a foice e eu ia manejar, num é.
Porque o capoeirista tanto ginga, como pula, ‘ropia’, ‘ropia’, e como também ele ‘szanga’ e como defende-se também.
O capoeirista tem a mentalidade pra tudo.
E quanto mais o capoeirista ‘carmo’ melhor para o capoeirista.

                                                   Foto sobre foto de Pierre Verger
(…mais vontade.) (…)
O capoeirista num deve ser afobado!
O capoeirista num deve provocar! 
O capoeirista não deve fazer certas coisas!
No meu tempo, eu era capoeirista. Também tinha capoeirista que andava torto, mas torto, como a natureza não fez ele! Porque ele pegava um lenço, botava no pescoço, um lenço grande, uma calça boca, que dava trinta centímetros de boca, chinelo de xadrin, né, chapéu jogado do lado,aí ele saía todo torto, ou do lado esquerdo, ou do lado direito, conforme ele tivesse a, o jeito né, se ajeitava nisso…
E andava pelo meio da rua, com aquele gingado né…
Só a calça parecia, a boca da calça parecia uma saia! 
Mais uma saia do que calça.
Capoeirista tinha tudo isso naquela época, né?
Capoeirista se prestava naquela época pra muita coisa. E eu admiro hoje se o capoeirista se prestar pra certas coisa!


 
Aberre (Antônio Raimundo)
Eu sou um dos exemplo do passado! 
Aqui tem muitos veteranos!
Velho mesmo!
Capoeirista veterano, mais idoso do que eu! 
Menino da menina dos meus olhos, capoeirista!
Eu tinha aqui um aluno por nome ‘Aberrê’, esse foi meu aluno e era afilhado do mesmo padrinho meu… Morava na ladeira do São Francisco, e eu morava na ladeira do Muntun. Eu levava, ele ia lá pra casa pra eu ensinar ele a jogar capoeira, quando eu dei baixa…


Tive um amigo que me chamo pra eu tomar conta de uma casa de jogo. Eu fui ‘tomá’ conta dessa casa de jogo. Tinha necessidade de ir ao chefe de polícia pra tomar uma licença, pra puder abrir a casa, eu fui. Me levaram lá o dotô Alvaro ‘Cobra’. Quando eu entrei, estou na casa do dotô Alvaro ‘Cobra’…
-Doutor, é este o rapaz que vai tomá conta da casa do jogo…
Aí ele olhou assim pra mim, me olhou todo de cima a baixo, com os desenhos, aí foi e disse:
-Esse, esse garoto que vai tomar conta da casa de jogo?!
Isso é um fedelho! 
Vai tomar conta de uma casa de jogo?!
Meu camarada disse:
-É, mas é esse mesmo que eu quero.
-Mas esse ‘mininu’ não pode tomar conta de uma casa de jogo!
Ele disse:
-É doutor, esse é ‘mininu’, mas é esse mesmo que eu quero.
Aí o doutor se conformou, num é, em dar a licença. Aí virou pra mim e disse:
-Como é seu nome?!
Eu disse:
-Vicente Ferreira Pastinha.
Suspendeu a carteira e tirou as carta toda, e disse:
-É você que é o ‘valentinozinho’ que eu tenho aqui no meu distrito, num conhecia você!
Só de carta de queixa, né…
Eu aí digo, cá comigo né, eu digo‘pronto, tou gun, tou preso é?’

 

Nos dias de birra, tinha um, a, um grupo de capoeirista. Só tinha Mestre! 
Os maiores Mestres daqui da Bahia! 
Todo domingo tinha ali uma capoeira que só ia alí Mestre!
Num tinha nada de aluno, era Mestre! 
E esse ex-aluno meu, ‘Aberrê’, fazia conjunto lá.
Então os Mestres lá procuraram saber, querer me conhecer!
Perguntou ao Aberrê quem tinha sido o Mestre dele.
Ele deu meu nome.



-Traga esse ‘homi’ aqui que ‘nóis’ precisamos conhecer ele! 
É tão falado, é tão bom capoeirista. Traga ele aqui pra gente conhecer.
O Aberrê me convidou pra eu assistir ele jogar, no dia de domingo. Quando eu cheguei lá procurou o dono do, da capoeira, que era o ‘Amorzinho’, era um guarda civil.
E o ‘Amorzinho’, o ‘Amorzinho’ no apertar da minha mão foi e me entregou a Capoeira pra eu tomar conta…”

Fonte:
http://sapatovagabundo.wordpress.com/2010/10/21/trabalho-de-transcricao-n%C2%BA-2-lagrima/#comment-150



Leiteiro:
Meus parabens por este maravilhoso trabalho de transpor para o papel, esta aula que foi/é a vida na Capoeira de Mestre Pastinha!
Não há antigo que tenha ouvido este disco que não se emocione!
E a frase mais falada naquela época era:
Eu me chamo Vicente Ferreira Pastinha, eu nasci para a Capoeira!
Brigadão, Véio!
Chupei com prazer e alegria!!
Axé Malungo!!!!

Interessante por mostrar além de um bom jogo, como era a Bahia de 1963!






Mestre Pastinha

        Vicente Ferreira Pastinha (Salvador, 5 de abril de 1889 — Salvador, 13 de novembro de 1981), foi um dos principais mestres de Capoeira da história.
        Mais conhecido por Mestre Pastinha, nascido em 1889 dizia não ter aprendido a Capoeira em escola, mas "com a sorte". Afinal, foi o destino o responsável pela iniciação do pequeno Pastinha no jogo, ainda garoto. Em depoimento prestado no ano de 1967, no 'Museu da Imagem e do Som', Mestre Pastinha relatou a história da sua vida: "Quando eu tinha uns dez anos - eu era franzininho - um outro menino mais taludo do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para a rua - ir na venda fazer compra, por exemplo - e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar escondido de vergonha e de tristeza." A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que marcaria todos os anos da sua longa existência.
        "Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu a uma briga da gente. Vem cá, meu filho, ele me disse, vendo que eu chorava de raiva depois de apanhar. Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia. Foi isso que o velho me disse e eu fui". Começou então a formação do mestre que dedicaria sua vida à transferência do legado da Cultura Africana a muitas gerações. Segundo ele, a partir deste momento, o aprendizado se dava a cada dia, até que aprendeu tudo. Além das técnicas, muito mais lhe foi ensinado por Benedito, o africano seu professor. "Ele costumava dizer: não provoque, menino, vai botando devagarinho ele sabedor do que você sabe (…). Na última vez que o menino me atacou fiz ele sabedor com um só golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o menino ficou até meu amigo de admiração e respeito."
        Foi na atividade do ensino da Capoeira que Pastinha se distinguiu. Ao longo dos anos, a competência maior foi demonstrada no seu talento como pensador sobre o jogo da Capoeira e na capacidade de comunicar-se. Os conceitos do mestre Pastinha formaram seguidores em todo Brasil. A originalidade do método de ensino, a prática do jogo enquanto expressão artística formaram uma escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade. Foi o maior propagador da Capoeira Angola, modalidade "tradicional" do esporte no Brasil.
        


 Em 1941, fundou a primeira escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Largo do Pelourinho, na Bahia. Hoje, o local que era a sede de sua academia é um restaurante do Senai.
        Em 1966, integrou a comitiva brasileira ao primeiro Festival Mundial de Arte Negra no Senegal, e foi um dos destaques do evento. Contra a violência, o Mestre Pastinha transformou a capoeira em arte. Em 1965, publicou o livro Capoeira Angola, em que defendia a natureza desportista e não-violenta do jogo.
        Entre seus alunos estão Mestres como João Grande, João Pequeno, Curió, Bola Sete (Presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola), entre muitos outros que ainda estão em plena atividade. Sua escola ganhou notoriedade com o tempo, frequentada por personalidades como Jorge Amado, Mário Cravo e Carybé, cantada por Caetano Veloso no disco Transa (1972). Apesar da fama, o "velho Mestre" terminou seus dias esquecido. Expulso do Pelourinho em 1973 pela prefeitura, sofreu dois derrames seguidos, que o deixaram cego e indefeso. Morreu aos 93 anos.
        Vicente Ferreira Pastinha morreu no ano de 1981. Durante décadas dedicou-se ao ensino da Capoeira. Mesmo completamente cego, não deixava seus discípulos. E continua vivo nos capoeiras, nas rodas, nas cantigas, no jogo. "Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, capoeira, mãe. E embaixo, o pensamento:

"Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista."
http://www.professorklayton.no.comunidades.net/index.php?pagina=1246724210

 

Frases de Mestre Pastinha!

Mestre Pastinha 10/10/1980:  
"Ninguém pode mostrar tudo o que tem as entregas e revelações.
Têm que ser feito aos poucos. Isso serve na capoeira, na família e na vida. Há momentos
em que não podem ser divididos com ninguém e nestes momentos existem segredos que não
podem ser contados as todas as pessoas".

Pastinha: "O berimbau é a alma da capoeira".

Pastinha: 
"Seu princípio não tem método. Seu fim é inconcebível ao mais sábio dos Mestres".

Mestre Pastinha: 
"Ninguém joga igual a mim, cada um joga do seu jeito".

Pastinha: 
"...capoeira é muito mais que uma luta, capoeira é ritmo, é música, é
malandragem, é poesia, é um jogo, é religião..."


Pastinha dizia: 
"Capoeirista não é aquele que sabe movimentar o corpo, e sim
aquele que se deixa movimentar pela alma".


Pastinha: 
"Capoeira é "Tudo" que a boca come...diz o grande Pastinha...Capoeira
só é a Capoeira quando não se rotula..."


Já dizia Mestre Pastinha: 
"Quando dois camaradas estão se exibindo na roda, é uma demonstração, sem rivalidade, pois
o público não quer ver sangue, e sim evoluções; o capoeira deve ser calmo, tranqüilo e calculista!!"


Pastinha: 
"Pastinha conhecia a capoeira, sabia como era importante continuar aquela cultura, aconselhava que era
preciso ter calma no jogo, ou seja, quando mais calma melhor pró capoeirista".




Vicente Ferreira Pastinha: 
"Menino, preste atenção no que eu vou dizer: O que eu faço brincando, você não faz nem
zangado. Não seja vaidoso, e nem despeitado, na roda da Capoeira, háhá...Pastinha já tá classificado..."


Mestre Pastinha falava: 
"Quando eu jogo até pensam que o velho está bêbado, porque eu fico mole e desengonçado,
parecendo que eu vou cair. 

Mas, ninguém ainda me botou no chão, e ainda nem vai botar".
Correção: Num livro consta que ele foi desmaiado por um golpe de um aluno chamado Velocidade!

Traços de Mestre Pastinha:  
"Mandinga de escravo em ânsia de liberdade".
"Capoeira é para o homem, menino, velho e até mulher, não aprende quem
não quer".
"O negócio é aproveitar os gestos livres e próprios de cada qual".
"Berimbau é primitivo mestre da vibração e ginga ao corpo da gente".
"Sou discípulo que aprende e um mestre que dá lição".
"Seu princípio ninguém conhece e seu fim é inconcebivel ao mais sábio dos Mestres!"





Lei nº 4.649, de 07 de Agosto de 1985
Institui o "Dia do Capoeirista",
a ser comemorado anualmente,
no dia 3 de agosto.

 

*Radionovela – Mestre Pastinha e Bimba - 1 e 2
Um programa que conta a história dos dois mais importantes mestres de capoeira da Bahia

Ouça/Sentindo: http://www.irdeb.ba.gov.br/educadora/cat
alogo/media/view/996
Manoel dos Reis Machado, "Mestre Bimba" - Capoeira Regional
(Salvador, 23 de Novembro de 1900 - Goiânia, 05 de Fevereiro de
1974), foi criador da Luta Regional Baiana, mais tarde chamada de capoeira regional.


05 de Abril - Nasceu o grande capoeirista Vicente Ferreira Pastinha, "Mestre Pastinha" Ano: 1888
"Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, capoeira, mãe. E embaixo, o pensamento: "Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista." 


"A Capoeira é completa, pois é preciso cantar, tocar,
dançar, lutar, estudar o contexto histórico, ensinar e
sorrir com humildade, logo uma filosofia de vida"
(Aisó)

(Heywood C. Broun - 1889-1939)

"O Esporte não Constrói o
Caráter, ele o Revela"

O Mestre Visionário ja Graduado pela miséria que um dia o mataria!


Comprovando oque disse Mestre Atenilo, neste video tem 2 balões da Cintura Desprezada de Mestre Bimba, um deles feito pelo Mestre Pastinha!!!



ITA-A reunião que Bimba fez para fazer a Regional, aonde foi?
ATE-Aqui no Bogum, fim de linha do engenho Velho da Federação. Fez a para mudar a Capoeira de Angola para Regional!
ITA-Me diga uma coisa,esses caras todos antes de ele fazer a reunião ficavam lá jogando?
ATE-Jogavam, Waldemar, Pastinha, Aberrê, andavam mais Gigante, essa turma.
ITA-Eu estava la na Academia do Falcão conversando com um cara ai ele disse:
Que nada Bimba não andava batendo em todo Angoleiro não, tinha uns caras feito Pastinha, Waldemar que não encarava assim não, era ATENILO?


 ATE-Pelo gosto de Pastinha, Bimba todo o Domingo dava aulas para elês, e todos feriados Bimba ia la no Sangradouro dar aulas para elês, la na Academia de Pastinha!
ITA-E quando voçe chegava la metia a mão em todo mundo?
ATE-Nós pegava a jogar lento, se eles tocassem na gente o couro comia. Pastinha tomou muita amizade com Bimba, que ele (Bimba) também tinha o Segredo da Capoeira, jogava Angola e se defendia bem.
Pastinha dizia:  
Vou ficar com o Manoel(Bimba) treinando mais Manoel! 
Quando não era assim Pastinha ia as tardes treinar com Bimba, na academia de Bimba!



            Abalou Capoeira, Abalou!!!!
Depois de uma certa polêmica com relação ao verdadeiro nome de Mestre Pastinha, nosso querido amigo, parceiro e um dos mentores deste Portal, mestre Decanio, nos brindou com um documento de raro valor histórico: A Certidão de nascimento de mestre pastinha., documento este que veio iluminar o assunto... A confusão e a demora em corrigir um artigo publicado em nosso portal em 2007 que falava diretamente sobre o grande mestre pastinha, foi agravada pela referência ao nome do mestre na consagrada Enciclopédia Online a Wikipédia - (http://pt.wikipedia.org) cujo artigo principal com o nome do mestre, fazia referencia a  
JOAQUIM VICENTE FERREIRA PASTINHA.
Depois de alguma pesquisa com mestres diretamente ligados a história e tradição da capoeira Angola, assim como discipulos e conhecedores da vida e da obra de mestre pastinha, conseguimos uma prova irrefutável do verdadeiro nome de mestre pastinha. Aproveitamos o documento de raro valor histórico para compartilhar e corigir a sua referência na Wikipédia.
Para baixar a Certidão de nascimento de mestre pastinha, visite nossa seção de Downloads da Capoeira.

Certidão de nascimento de Mestre Pastinha
Vicente Ferreira pastinha (mestre pastinha), nascido em 1889 dizia não ter aprendido a capoeira em escola, mas "com a sorte". Afinal, foi o destino o responsável pela iniciação do pequeno Pastinha no jogo, ainda garoto. Em depoimento prestado no ano de 1967, no 'Museu da Imagem e do Som', mestre pastinha relatou a história da sua vida: "Quando eu tinha uns dez anos - eu era franzininho - um outro menino mais taludo do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para a rua - ir na venda fazer compra, por exemplo - e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar escondido de vergonha e de tristeza." A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que marcaria todos os anos da sua longa existência.
"Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu a uma briga da gente. Vem cá, meu filho, ele me disse, vendo que eu chorava de raiva depois de apanhar. Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia. Foi isso que o velho me disse e eu fui". Começou então a formação do mestre que dedicaria sua vida à transferência do legado da cultura Africana a muitas gerações. Segundo ele, a partir deste momento, o aprendizado se dava a cada dia, até que aprendeu tudo. Além das técnicas, muito mais lhe foi ensinado por Benedito, o africano seu professor. "Ele costumava dizer: não provoque, menino, vai botando devagarinho ele sabedor do que você sabe (...). Na última vez que o menino me atacou fiz ele sabedor com um só golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o menino ficou até meu amigo de admiração e respeito."
Foi na atividade do ensino da capoeira que Pastinha se distinguiu. Ao longo dos anos, a competência maior foi demonstrada no seu talento como pensador sobre o jogo da capoeira e na capacidade de comunicar-se. Os conceitos do mestre pastinha formaram seguidores em todo Brasil. A originalidade do método de ensino, a prática do jogo enquanto expressão artística formaram uma escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade. Foi o maior propagador da capoeira Angola, modalidade "tradicional" do esporte no Brasil.

* A Certidão de nascimento de mestre pastinha foi partilhada pelo nosso querido amigo e um dos mentores do Portal Capoeira, mestre Decanio.

 http://portalcapoeira.com/Curiosidades/historia-certidao-de-nascimento-de-mestre-pastinha#addcomments


Romeu, quero o meu!!!!Leiteiro 20-08-2012 18:02 #7
Tempos atrás participei de um concurso aqui no Portal Capoeira respondendo o Verdadeiro nome de Mestre Pastinha. Levei Bomba pois inventaram um Joaquim pra cima de mim! Agora querendo surpreender meus leitores e fazer justiça a este maravilhoso Portal Capoeira, vim "mamar" na fonte e descubro que estava certo na minha resposta!
Resta saber qual era o prêmio e se ainda posso reQuerelo???
Leiteiro


Mestre Pastinha Morreu 
Garça 

Mestre Pastinha morreu
Capoeira assim cantou
Cantou forte e muito alto
Pra avisar Nosso Senhor
Sobe ao céu um homem velho
Velho de grande valor
Que ensinou no Pelourinho
A menino e a doutor
Mas aqui foi esquecido
Pra ele ninguém ligou
Ficou velho num asilo
Sofrendo com muita dor
Deus ouviu e teve pena
Veio aqui e o levou
Disse: vá morar lá em cima
Junto de Nosso Senhor
Lá no céu tem três estrelas
Todas três em carreirinha
Uma é Seu Bimba, outra é Besouro
A outra é Mestre Pastinha
Camará...

Chora Capoeira
Capoeira chora
eh chora Capoeira 
que meu Mestre foi-se embora


  
QUEM É PASTINHA

Vou contar para vocês
O que me aconteceu
Na roda de Capoeira
Quando o céu escureceu
Meu Berimbau tocava Angola
Eu cantava ladainha
Quando prestei atenção
Quem jogava era Pastinha
Negro velho, mandingueiro
Angoleiro de valor
A roda de Capoeira
Foi ele quem comandou
Pegou o Berimbau Gunga
E cantou uma ladainha
Mostrando para os presentes
Quem era Mestre Pastinha 
Camará, viva a Bahia
Eh!!! Viva a Bahia, camará
Viva Pastinha
Eh!!! Viva Pastinha, camará
Autor: Mestre Paulão



 
A Capoeira Angola e Seus Fundamentos

Bateria
A bateria de instrumentos apresentada aqui como era na academia de Mestre Pastinha.
 - Três berimbaus: gunga, médio e viola;
 - Um ou dois pandeiros;
 - Um atabaque;
 - Um reco-reco;
 - Um agogô;

Ladainha
É obrigatoriamente cantada por quem toca o berimbau gunga que geralmente é o mestre. São canções em ritmo de lamento, lembram sempre alguma história, um mestre ou algum fato importante. Serve como introdução para o início do jogo. Durante a ladainha não se bate palmas e não se toca nenhum instrumento com exceção dos berimbaus que entram pela ordem: gunga, médio e depois o viola.

Chula
Após a ladainha, o mestre canta a chula que é uma cantiga de pequenas estrofes, onde todos os instrumentos entram e o coro responde. É uma louvação a Deus ou aos mestres presentes e aos que já faleceram. É o famoso “Viva meu Deus / Iê viva meu Deus camará.” A chula é uma preparação para o “corrido.” Quando a chula atinge os versos “Da volta ao mundo camará” os dois capoeiras se cumprimentam saúdam o berimbau com um movimento chamado de “queda de rins” e começam a jogar.

Corrido
Os corridos são canções no formato pergunta e resposta onde uma pessoa canta e o coro responde.

As chamadas
Durante o jogo podem ocorrer as chamadas, movimentos que servem para testar o parceiro com quem está jogando. Quando se faz uma chamada o parceiro deve ter o máximo de cuidado, pois a chamada é uma armadilha onde se visa surpreender o parceiro. Os Mestres mais experientes fazem chamados como forma de distrair o companheiro e atingi-lo de surpresa. Há vários tipos de chamada: de frente, de costas, sapinho e outras. Se o parceiro não quiser responder a chamada ele deve ir até o pé do berimbau e chamar o seu camarada para uma nova saída.
Na capoeira angola não se compra o jogo, isto é, deve-se esperar que os dois jogadores saiam da roda para que outros dois comecem um novo jogo.

Curiosidades
Na Bahia era costume os mestres Angoleiros se encontrarem aos domingos na porta de igrejas para jogar a capoeira. Esses mestres vestiam-se de terno de linho branco e chapéu, como se fossem vestidos para algum evento importante, o que na verdade realmente o era. Era o momento em que sua cultura estava sendo praticada e perpetuada.




Mestre Pastinha
Mestre Pastinha foi o maior divulgador da capoeira angola. Praticamente viveu sua vida inteira pela capoeira. Implementou métodos de ensino, fundou a primeira academia de capoeira chamada de C.E.C.A, o Centro Esportivo de Capoeira Angola e foi convidado para ir até a África mostrar a nossa arte. Pastinha partiu deste mundo em 13 de novembro de 1981, deixando muitos discípulos entre eles, Natividade, Bola Sete, Boca Rica, Gildo Alfinete, Meio Quilo, Colmenero, João Pequeno, João Grande, Malvadeza, Curió, entre outros, que continuaram a ensinar e fizeram com que o jogo permanecesse até hoje tradicionalmente como era antigamente com todas as suas tradições e rituais e como na verdade deve ser.

http://capoeiraexports.blogspot.com/2011/01/capoeira-angola-e-mestre-pastinha.html


A Morte de Mestre Pastinha

Aconteceu, 
ainda hoje eu me lembro 
foi numa sexta-feira 13 
Dia 13 de novembro 
Mestre Pastinha morreu
Mas para ele, 
a morte foi uma alforria
Pois vivendo aqui na terra 
Passou fome e agonia 
Mestre Pastinha, 
vá com Deus, Descanse em paz 
Vá com Deus que tu merece 
sua capoeira, 
Teve luta e teve glória
tá gravada na história 


Chora meu cativeiro
meu cativeiro chorou
eh Chora meu cativeiro
e chora Bahia se São Salvador

Mestre Pastinha 
Jogador de capoeira 
Tocador de berimbau 
Não é vergonha
Lamentar com tanta dor 
Que à esse grande angoleiro 
Pouca gente deu valor
Tenho certeza 
Que Vicente Ferreira Pastinha 
Deu conta do recado 
E que sua capoeira
Todos tem admirado.

Excelente link para músicas antigas, pena não ter o nome dos autores das músicas!
http://maltanagoa.blogspot.com/2006/03/msica.html


Mestre Pastinha e Pedro Porreta

"Os bichinhos sou eu!"


Mais uma história do livro de Mestre Bola Sete, A Capoeira Angola na Bahia. Essa relata uma briga entre Mestre Pastinha, o professor de Mestre Bola Sete, e um dos mais famosos valentões da época, Pedro Celestino dos Santos, vulgo Pedro Porreta.
O Mestre Pastinha chegou a defrontar-se com o pergioso capoeirista Pedro Porreta, que marcou época na Bahia pela sua maneira agressiva de proceder e pela inúmeras desordens que praticava, chegando a enfrentar o famoso Chefe do Esquadrão da Cavalaria, Pedro Azevedo Gordilho, mais conhecido como "Pedrito". A partir de então, foi perseguido implacavelmento pelo Esquadrão, que no entanto, não logrou êxito.
Tudo começou quando Pedro Porreta foi morar em um barraco perto das Rua das Laranjeiras, onde o Mestre Pastinha possuía uma quitanda. Houve um desentendimento entre os dois, terminando numa briga violenta, sendo derrotado no fim, depois de muita pernada de ambos lados, pelo Mestre Pastinha, que no entanto, considerou a luta mais dificil que encontrou pela frente. "Bom menino," respondeu-me o Mestre quando perguntei –lhe sobre a capacidade do seu adversário em briga de rua.
O Mestre Pastinha tinha ido a feira buscar bananas, deixou sua mulher tomando conta da quitanda, quando entrou Pedro Porreta, que não sabia que a mesma pertencia ao mestre. Ao entrar pediu meia-duzia de bananas.
- Não temos, o meu marido foi buscar ainda agora, na feira, respondeu-lhe a mulher do mestre.
Pedro Porreta já ia saindo quando avistou quatro bananas em cima do balcão, virou-se e indagou:
- E estas quarto bananas que estão aí, para quem são?
- São para os bichinhos! disse a mulher do mestre apontando para uma gaiola com dois pássaros.
Pedro Porreta avançou, pegou as bananas, e saiu, dizendo:
- Os bichinhos sou eu!
Ao voltar da feira, assim que entrou na quitanda e estava colocando o pesado cesto de bananas no chão, sua mulher foi-he contando o sucedido. Ao terminar o relato, o mestre saiu imediatamentea procura do desconhecido. Ao chegar na rua encontrou um seu amigo, que a tudo assistira, revelando a identidade e o endereço do indivíduo. O mestre agradeçeu e dirigiu-se a casa de Pedro Poretta, encontrando-o na porta.
Pedro Porreta não suspeitando que ele fosse o dono da quitanda, cumprimentou=o amistosamente: "Como vai mestre? O que deseja?" Ao saber que ele era proprietário da mesma e vinha disposto a obter uma explicação pelo que acontecera, abriu a porta, soltou uma gargalhada e apontou as bananas dentro de uma panela cozinhando. O Mestre Pastinha, notando a expressão zombeteira de Pedro Porreta, virou-se para ele e disse: "Pedro, eu vou levar as bananas assim mesmo, só por causa do seu desaforo de invadir minha quitanda sem a minha presença e zombar da minha mulher."
Ao ouvir isto, Pedro Poretta dirigiu-se ao meio da rua e desafiou-o para lutar.
Mestre Pastinha aceitou o desafio e a briga prolongou-se por vários minutos, sem que ninguém tivesse a coragem de apartá-los, só terminando com uma violenta cabeçada do Mestre Pastinha, atirando-o longe, estendido junto ao passeio. Neste momento aproximou-se um senhor, que morava nas proximidades e depois de inteirar-se do motivo da briga, prontificou-se a pagar a despesa, contanto que encerrassem aquele assunto. Mestre Pastinha não aceitou o dinheiro de tal senhor, dizendo-lhe, "Meu amigo, eu agredeço a sua gentileza mas o que motivou a minha briga com Pedro não foi o dinheiro despesa com as quarto bananas e sim a maneira que ele procedeu." Dizendo isto retirou-se para a sua quitanda e Pedro Porreta mudou-se de seu barraco no dia seguinte.

O livro de Mestre Bola Sete tem ainda mais histórias descrevendo as aventuras de Mestre Pastinha. Vale a pena comprá-lo para ler tudo e incluir no arquivo do seu grupo




Conheço muitas histórias sobre o Mestre Pastinha. Algumas delas passo a expor:

Antonio Maré, famoso capoeirista do passado e grande amigo do Mestre Pastinha, levou-o certa vez para jogar capoeira no cais da Bahia onde ele era conhecido apenas pelo nome. Lá chegando, abaixou-se ao "pé do berimbau" para vadiar com um dos capoeiristas do local. Começando o jogo, os outros capoeiristas, companheiros que estava jogando com o mestre, gritavam a todo momento:
"Vai depenar o pinto, hem fulano?"
Mas, para surpresa dos mesmos, o "pinto" sempre levava melhor. Terminando a brincadeira, todos os capoeiristas insistiram junto a Antonio Maré, que era bastante conhecido no local, para que dissesse o nome de seu companehiro. Antonio Maré então revelou: " Este é o famoso Mestre Pastinha." Ao ouvirem tal declaração todos cumprimentaram e elogiaram o mestre e um dos capoeiristas presentes acresentou: "Logo vi, com esse jogo e essa manhã, só poderia ser Pastinha."

O livro é bom, e é super legal ler as histórias dos velhos mestres nas ruas da cidade de Salvador.
A Capoeira Angola na Bahia por Mestre Bola Sete.



O B-A-BÁ da música da Capoeira Angola


Uma boa ladainha para iniciantes à Capoeira Angola escrito por Mestre Pastinha:

Eu vou lê o B-A-BA
O B-A-BA do berimbau
A cabaça e o caxixi
E um pedaço de pau
A moeda e o arame, colega velho
Está aí um berimbau
Berimbau é um instrumento
Tocado de uma corda só
Pra tocá São Bento Grande
Toca angola em tom maior
Agora acabei de crê, colega velho
berimbau é o maior,camará....























Mestre Pastinha matou a pau quando disse que:
O Segredo da Capoeira morre comigo!
Eu bati na trave no texto em homenagem ao meu Professor:
O dia mais triste da minha Vida!
Só que o velho Mestre não contava com a Internet que "ressuscitou" várias múmias e hoje podemos ver não só o Velho Mestre Pastinha jogando, como seus alunos! E me arrisco a uma blasfemia ao dizer que os alunos jogavam mais que o Mestre!
Pastinha confirma ao dizer que seu Aluno Aberrê jogava numa roda que só tinha Mestre!!!


A Angola Bahiana do Sr Bezerra é igual a do Mestre João Pequeno de Pastinha?
A Angola Bahiana de Mestre Camisa é igual a de Mestre João Grande de Pastinha?
A Angola Bahiana de Mestre João Grande, Mestre João Pequeno, Mestre Bobó alunos de Pastinha, era igual a de Mestre Pastinha???

O Velho Mestre Responde:
Ninguém joga como eu, cada um é cada um!!!
Então oque ele levou mesmo não foi Segredo nenhum, foi a Sua Capoeira!
A Capoeira de Mestre Pastinha!!!